Divulgação Divulgação

Fácil enxergar o difícil

"Eu sabia, eu sabia!!!", gritou Galvão Bueno em Suzuka, em 1991, quando Ayrton Senna abriu passagem para Gerhard Berger vencer o GP do Japão e ele, Senna, ser tricampeão do mundo com o segundo lugar. Galvão sabia, mas não disse. Levou uma sonora bronca por isso.

Antes que o leitor dê sua sonora bronca, não gritamos "eu sabia" antes porque os números iriam comprovar. E comprovaram. O mercado interno brasileiro sofreu uma queda de 90% em suas atividades na segunda quinzena de março, fruto das medidas adotadas para conter os avanços da COVID-19. Isso depois de um período em que a curva (ao menos a comercial) indicava uma boa subida. Já em relação a fevereiro, o número de emplacamentos e exportações caiu 18%. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A queda veio depois de duas semanas de forte atividade no mercado interno, que apontavam para um robusto crescimento. Só que a paralisação gradativa do comércio e das fábricas na segunda quinzena foi decisiva.

"Tivemos dois momentos bem distintos em março. Até o começo da segunda quinzena, as vendas estavam em alta, com crescimento de 9% no acumulado do ano, em relação ao ano passado. Mas o avanço da pandemia em nosso país foi provocando a interrupção das atividades nas fábricas e nas concessionárias, fazendo com que fechássemos o mês com queda de 8% no acumulado do ano", explicou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Segundo o dirigente, mais preocupante é verificar que as vendas despencaram quase 90% das primeiras semanas para as duas últimas, o que projeta um resultado altamente preocupante para abril. "O momento é de priorizar a saúde da população e todas as nossas associadas estão dando sua contribuição no combate ao coronavírus, seja reparando respiradores, seja produzindo e doando máscaras, ou mesmo cedendo suas frotas vários para as mais diversas finalidades. Mas também é hora de uma conscientização de todas as esferas do governo, bancos e sociedade para criar mecanismos que permitam à cadeia automotiva atravessar esse período de retração com a preservação das empresas e dos empregos".

Observando março de 2020 com um todo, a queda em relação ao mesmo mês de 2019 foi de 21% para produção, licenciamentos e exportação, coincidentemente. Na comparação com fevereiro, a retração foi de 18% nos emplacamentos e nas exportações, e de 7% na produção.

É triste, mas era esperado. E com o prorrogação da quarentena em São Paulo os números devem ser ainda mais melancólicos. No maior mercado do Brasil estão instaladas unidades de diversas marcas. Toda a estrutura da Toyota, por exemplo, fica em cinco cidades de São Paulo. A Volkswagen tem seu pilar no estado, assim como a Mercedes-Benz e a produção de carros da Honda e a fábrica da CAOA-Chery, além da estrutura principal da Chevrolet.

E então vem o efeito cascata, que atinge as concessionárias com showrooms fechados. Por mais que as oficinas estejam em pleno funcionamento, obviamente não é a mesma coisa.

Tempos sombrios, sobre os quais esperamos estar exagerando. O ideal seria estarmos errados.

 

 

Leia Mais
  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: terça-feira, 07 abr 2020 12:30Atualizado em: terça-feira, 07 abr 2020 12:33
  • quedda   mercado   automotivo   
Divulgação Divulgação

O número da realidade

Tão bom e tão favorável para tanta gente, o número sete apareceu em profusão para o setor automotivo em abril e este deveria ser um fato alviçareiro...se o momento do mercado não fosse bastante controverso. A pandemia provocada pela COVID-19 e o consequente distanciamento social provocaram a esperada queda vertiginosa nos emplacamentos. A redução em abril foi de 77,7% em um comparativo com o mesmo mês em 2019 e 67% na comparação com março. No quarto mês do ano foram licenciados 51.362 veículos. No acumulado dos primeiros quatro meses de 2020, foram negociadas 801,5 mil unidades, 27,2% a menos em relação com o mesmo período de 2019.

A pancada, portanto, veio e não havia dúvidas de que viria. A pergunta que o setor automotivo ainda não respondeu nem para si próprio é como se levantar deste quase knock-out (ou nocaute mesmo). Este é o ponto que poderia – e deveria - ser pensado desde que as primeiras informações sobre um possível isolamento social começaram a surgir.

Há dois pontos favoráveis e dois nem tanto nesta questão. O que aparece a favor é a reação imediata do próprio setor ao aproveitar esta tecnologia que aproxima os distantes, informa um fato no exato instante em que ele acontece e torna público tudo o que parece privado: a internet foi o caminho encontrado pelos maiores do setor. As vendas on-line têm sido uma realidade e as lojas oferecem test drive e entrega dos carros na casa do cliente. Bingo! Ideal principalmente para quem não é concessionário e não tem a oficina em pleno funcionamento (o que gera uma receita). Foi desta maneira que mais de 50 mil veículos foram emplacados em abril.

O segundo ponto a favor: especialistas ouvidos pela A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) acreditam que os negócios efetuados, de fato, são entre 30% a 40% maiores do que o número de licenciamentos. Ou seja, é provável que as vendas reais em abril atingiram entre 65 mil a 70 mil unidades. Isso porque, com a desobrigação de emplacar o veículo zero km até 30 dias após a compra, muita gente está rodando sem o documento.

Agora, vamos às questões mais controversas. A primeira é que, por cultura, brasileiro gosta de ver o carro, chegar perto, sentir que será dele. E isso só acontece nas lojas. É verdade que a maior parte dos compradores em potencial têm todas as informações a respeito do carro que pensam em adquirir e vão às lojas para praticamente tomar café e fechar negócio, mas ainda há um considerável grupo dos que querem “ver com as mãos”.

O segundo ponto amedronta um pouco mais. Imaginemos que o isolamento social seja encerrado neste momento. O mercado vai precisar de um tempo para se recuperar em todos os setores. Isso quer dizer que dificilmente tanta gente pense em trocar de carro ou comprar seu primeiro veículo neste momento. E isso é mais do que preocupante.

 

 

Leia Mais
  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: terça-feira, 05 mai 2020 11:45Atualizado em: terça-feira, 05 mai 2020 11:45
  • Momento   mercado   automotivo   
     
Sobre
O mundo automotivo dentro e fora da estrada! Pelo jornalista Paulo Rogério, especializado em automobilismo.