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Na tomada, para tomar espaço

Em meio ao turbilhão no qual o Salão do Automóvel de São Paulo entrou na semana passada (falamos a respeito neste espaço), parece que as coisas não estão assim, tão fora de controle. Ao que consta, o evento não só vai acontecer como irá favorecer as plataformas digitais. A ver...

Só que o assunto nem é diretamente Salão de 2020, mas sim a uma tendência à qual ele remete e que começou na edição de 2018. Foi lá que a maior parte das marcas preocupou-se muito mais com produtos híbridos e elétricos. Sim, teve bastante espaço para os motores a combustão, mas não tanto quanto no caso dos ecologicamente corretos.

Híbridos e elétricos seguem uma tendência que não vem que hoje e que vive um período de expansão. Há quem diga que em breve será o segmento dominante deste planeta chamado Terra. No momento é mais fácil crer em uma grande expansão, mas o pleno domínio parece um tanto quanto distante. Parece.

Em termos de Brasil, os 100% elétricos parecem bem longe desse domínio. Mas isso não se deve à falta de consciência dos proprietários de veículos desta pátria amada, idolatrada, salve, salve!, mas sim à estrutura ou à falta dela no País. Carros totalmente elétricos têm lá sua autonomia (curta, de um modo geral) e precisam ser literalmente recarregados para continuar a circular. A questão é que alguns modelos exigem verdadeiros postos de recarga e o Brasil não dispõe de muitos locais para isso.

Outros até podem ser ligados na tomada 220V, como se fossem um aparelho doméstico qualquer, no entanto isso não só provoca um certo aumento na conta de luz como exige uma estrutura na casa do proprietário. E aí vem a questão: principalmente em prédios mais antigos, com garagens coletivas, as entradas para tomadas sequer existem. Se existirem, envolvem a energia elétrica do condomínio. E quem mora no 10º andar não vai dispor de um enorme cabo que ligue o carro até uma entrada em seu apartamento.

Então que partamos para os híbridos, que utilizam um motor elétrico e outro a combustão, ou seja, acabou a bateria, parte para a gasolina e está tudo certo. E a parte elétrica pode ser recarregada no reaproveitamento da energia acumulada na frenagem, no mesmo estilo que o Kers nos carros de Fórmula 1. Há alguns que até podem ser carregados na tomada, mas não é obrigatório.

É o caso do Volvo XC60 T8. Em dezembro de 2019 o Auto Aventura acelerou o SUV em um longo test drive. Uma semana com o carro, pegando estradas, trânsito urbano, on e off road e sequer foi necessário reabastecê-lo. E, na entrega, ainda tinha uns 300 km de autonomia. Na descida da Serra pela Imigrantes essa autonomia ultrapassou 1 mil km. Isso sem prejudicar o desempenho do motor. Pelo contrário. Há outros híbridos no radar do Auto Aventura.

O domínio universal dos elétricos talvez esteja um pouco distante, mas no caso dos híbridos esse crescimento pode, sim, ser bastante significativo. E não afeta de modo tão direto a indústria petrolífera, essa sim interessadíssima nos carros a combustão.

Mas, pelo que se sabe, há homens fortes nesse setor buscando informações sobre economia renovável.
Não só a energia...

 

 

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O mundo automotivo dentro e fora da estrada! Pelo jornalista Paulo Rogério, especializado em automobilismo.