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Sem radicalismo

A Renault Duster mudou, mas não foi tanto assim. Há alterações maiores e menores no design, sim, só que não houve a transformação, a criação de uma nova geração, nada disso. São modificações nos faróis, vincos mais evidentes nas laterais e mudanças aerodinâmicas e a lanterna traseira que, pelo formato, lembra (e muito, por sinal), o Jeep Renegade. O pisca se dá em formato de cruz, enquanto o concorrente vai de X.

Há mudanças maiores no motor. O 2.0 deixa de existir e toda a gama fica com o 1.6 SCe flex, que rende 120 cv de potência com etanol no tanque. De acordo com os executivos da marca francesa, as vendas não justificavam a manutenção do motor mais forte. Em paralelo, as versões 4x4 também dão adeus e a Duster passa a não ter mais a pegada off road.

No entanto, a organização do evento de lançamento da SUV em Foz do Iguaçu (PR) organizou um test drive que tirou na maior parte do percurso a Duster do asfalto. Tudo começava na suavidade, mas logo partia para ruas mais esburacadas, vias com buracos maiores, desníveis e, por fim, terra. Bastante terra. Não necessariamente um off-road, mas terra.

Primeira questão nisso tudo: desafiar um carro 4x2 que não terá mais versões 4x4, ou seja, mostrar que ele pode em terrenos ruins. Segundo ponto: a Duster ficou mais alta. Agora são 23 cm de altura livre do solo, 30º de ângulo de ataque e 34,5º de ângulo de saída. E por essa novas medidas a suspensão foi mexida. Era a hora de desafiar essa suspensão.

Em um primeiro momento o SUV passou até com certo louvor. A nova suspensão absorve muito bem os impactos, algo raro em uma Renault conhecida pela suspensão dura. Passa em um buraco com o Kwid ou o Sandero para sentir a batida da roda com com metálico. Não é nada agradável. Na Duster isso não acontece.
Ah, o porta-malas tem 475 litros. Nada mal...

Os preços foram mantidos. A Duster parte de R$ 71.790 na versão Zen Manual e R$ 77.790 na versão com transmissão CVT. Na versão intermediária Intense são pedidos R$ 83.490 e a gama fecha com a topo de linha Iconic, que custa R$ 87.490.

 

 

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  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: quinta-feira, 12 mar 2020 17:20
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Era evidente

Foi avisado. E nem era necessário ter o dom de prever o futuro. Estava cristalino o quanto estava obscuro. Enfim e oficialmente não haverá Salão do Automóvel em São Paulo em 2020. Fica para 2021. Muda tudo no evento dos anos pares.

A organização do evento fala em custos, entender o mercado e adaptá-lo a uma nova realidade. Em suma: entendeu o recado dado pelas 15 marcas que se retiraram do Salão antes do anúncio oficial. A verdade é que ninguém está a fim de investir milhões (milhões, literalmente) em um evento que não tem dado o devido retorno. A fórmula que vinha dando certo há décadas precisa se adaptar.

E vale aquela máxima: ninguém vai ao Salão do Automóvel para ver o Chevrolet Onix. A maioria vai ver os carros que jamais comprará.

A propósito: ninguém falou em riscos com o coronavirus.

Agora vem a outra questão: o Salão do Automóvel é o evento dos anos pares, enquanto os ímpares trazem Fenatran e Salão Duas Rodas. Os dois eventos estão agendados para 2021, na mesma época em que o Salão do Automóvel costuma acontecer, lá entre outubro e novembro.

O que pode acontecer: quem já mudou de ano pode mudar de época. Só precisa combinar com o São Paulo Expo e com os salões espalhados pelo mundo.

Desde que o coronavirus também permita.

 

 

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  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: sexta-feira, 06 mar 2020 17:51
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A Strada é longa

Poucas vezes as primeiras imagens oficiais de um novo carro provocaram tanto alvoroço entre a mídia automotiva que a do Fiat Strada, divulgada ontem, no início da noite. O Auto Aventura mesmo deu um jeito de publicar rapidamente a única foto enviada pela FCA (grupo que detém a marca Fiat) e a repercussão nas redes foi das grandes. Coincidência ou não, a divulgação aconteceu horas depois de uma foto de bastidores vazar e viralizar nas redes. Era a nova Strada, sem disfarces e sem lonas.

Há algumas tantas razões para tamanha mobilização. Uma delas está no mercado e no fato da Strada estar há anos entre os carros mais vendidos do Brasil. Chegou a ser líder geral pouco antes do Chevrolet Onix assumir e não largar mais a liderança. Em janeiro de 2020 ficou em 8º lugar. Entre as picapes compactas é de lavada: vende mais que Chevrolet Montana e Volkswagen Saveiro somadas.

Não bastasse, a Fiat não mexe em sua picape compacta há mais de seis anos (!). A última grande mudança ocorreu em setembro de 2013, quando a Strada ganhou a terceira porta para a cabine dupla, a chamada porta suicida, aberta de modo contrário às portas convencionais.

Também chamou a atenção a semelhança com a Toro, a picape média da Fiat. Isso se deu porque a Strada ficará maior que aquela que vemos nas ruas, mas obviamente não chegará ao tamanho de uma Toro. Só que os traços, sobretudo nas laterais, lembram bastante a “prima”. Quem vê a nova Strada só pela lateral vai se confundir.

Além do tamanho, uma grande diferença está na grade frontal. A Strada terá a frente que apareceu pela primeira vez no Argo e reforçou-se no Cronos. É uma grade bem grande e com o logotipo da Fiat bem destacado. A Toro não trouxe essa grade. O modelo tem uma frente exclusiva, com linhas bem finas.

O lançamento oficial da Strada será em breve e não irá impactar: já está impactando o mercado. E é mais que evidente que as respostas virão nas vendas.

 

 

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  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: quarta-feira, 12 fev 2020 14:16Atualizado em: quarta-feira, 12 fev 2020 17:36
  • Carro   Auto Aventura   Fiat Strada   
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Na tomada, para tomar espaço

Em meio ao turbilhão no qual o Salão do Automóvel de São Paulo entrou na semana passada (falamos a respeito neste espaço), parece que as coisas não estão assim, tão fora de controle. Ao que consta, o evento não só vai acontecer como irá favorecer as plataformas digitais. A ver...

Só que o assunto nem é diretamente Salão de 2020, mas sim a uma tendência à qual ele remete e que começou na edição de 2018. Foi lá que a maior parte das marcas preocupou-se muito mais com produtos híbridos e elétricos. Sim, teve bastante espaço para os motores a combustão, mas não tanto quanto no caso dos ecologicamente corretos.

Híbridos e elétricos seguem uma tendência que não vem que hoje e que vive um período de expansão. Há quem diga que em breve será o segmento dominante deste planeta chamado Terra. No momento é mais fácil crer em uma grande expansão, mas o pleno domínio parece um tanto quanto distante. Parece.

Em termos de Brasil, os 100% elétricos parecem bem longe desse domínio. Mas isso não se deve à falta de consciência dos proprietários de veículos desta pátria amada, idolatrada, salve, salve!, mas sim à estrutura ou à falta dela no País. Carros totalmente elétricos têm lá sua autonomia (curta, de um modo geral) e precisam ser literalmente recarregados para continuar a circular. A questão é que alguns modelos exigem verdadeiros postos de recarga e o Brasil não dispõe de muitos locais para isso.

Outros até podem ser ligados na tomada 220V, como se fossem um aparelho doméstico qualquer, no entanto isso não só provoca um certo aumento na conta de luz como exige uma estrutura na casa do proprietário. E aí vem a questão: principalmente em prédios mais antigos, com garagens coletivas, as entradas para tomadas sequer existem. Se existirem, envolvem a energia elétrica do condomínio. E quem mora no 10º andar não vai dispor de um enorme cabo que ligue o carro até uma entrada em seu apartamento.

Então que partamos para os híbridos, que utilizam um motor elétrico e outro a combustão, ou seja, acabou a bateria, parte para a gasolina e está tudo certo. E a parte elétrica pode ser recarregada no reaproveitamento da energia acumulada na frenagem, no mesmo estilo que o Kers nos carros de Fórmula 1. Há alguns que até podem ser carregados na tomada, mas não é obrigatório.

É o caso do Volvo XC60 T8. Em dezembro de 2019 o Auto Aventura acelerou o SUV em um longo test drive. Uma semana com o carro, pegando estradas, trânsito urbano, on e off road e sequer foi necessário reabastecê-lo. E, na entrega, ainda tinha uns 300 km de autonomia. Na descida da Serra pela Imigrantes essa autonomia ultrapassou 1 mil km. Isso sem prejudicar o desempenho do motor. Pelo contrário. Há outros híbridos no radar do Auto Aventura.

O domínio universal dos elétricos talvez esteja um pouco distante, mas no caso dos híbridos esse crescimento pode, sim, ser bastante significativo. E não afeta de modo tão direto a indústria petrolífera, essa sim interessadíssima nos carros a combustão.

Mas, pelo que se sabe, há homens fortes nesse setor buscando informações sobre economia renovável.
Não só a energia...

 

 

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Limparam o Salão

O título remete ao ato pouco ortodoxo, mas ao invés de dedos no nariz, as palavras refletem o resultado dos dedos na ferida. Aos fatos: a Chevrolet anunciou que não estará presente no Salão do automóvel de São Paulo em 2020. A informação surpreendeu porque normalmente a marca é dona dos mais suntuosos estandes nos eventos os quais participa, apresenta grandes novidades para o mercado e recebe muito bem a mídia especializada. Só para dar uma noção, em 2014 a Chevrolet anunciou no Salão de São Paulo (ainda no Anhembi) o patrocínio à Seleção Brasileira, além de oferecer uma apresentação estilo Broadway, com nomes como Otaviano Costa, Rodrigo Faro e Thayde no palco. Já em 2018 a marca foi responsável pela abertura do Salão e em sua apresentação mostrou o Bolt, carro elétrico.

O que não surpreende é o anúncio de mais uma ausência no salão paulistano. A Chevrolet é a 12ª marca a não ir ao evento. Se junta do lado de fora a BMW, Citroën, JAC, Jaguar, Land Rover, Lexus, Mini, Peugeot, Toyota, Hyundai Motor Brasil e Volvo. E na semana passada a Kia deu fortes indícios de que também poderá não estar presente. Resta a dúvida se haverá salão...

O mastodôntico motivo tem nome: dinheiro. Quando o Salão do Automóvel mudou-se para o São Paulo Expo levou consigo uma majoração nos custos. Em 2016, no primeiro ano do evento na nova casa, o metro quadrado de um estande, com valor negociado ao extremo, girava em torno de R$ 280,00. Só que um estande decente tem que ter, no mínimo, 400 m², ou seja, R$ 112 mil só para ter direito a um espaço no grande galpão (e há marcas com estandes muito maiores).

A partir daí vêm montagem do estande, iluminação, hospitality center (com sofás, poltronas, mesas, wi fi, ar-condicionado, comidas, bebidas etc), contratação de seguranças, buffet para a coletiva de Imprensa (muito café), agência de modelos para colocar aquelas meninas horrorosas ao lado dos carros, transporte dos carros que ficarão expostos, palcos especiais para carros que vão chamar mais a atenção etc.

Custos que aumentam quando a alta cúpula da montadora não reside em São Paulo. Então entram avião, hotel, transfer, subsídio para estacionamento dos convidados e muitos pormenores. Ah, para a apresentação algumas marcas contratam artistas e esportistas de ponta. Inclua aí cachê, transporte, alimentação e muitíssimo mais.

Total da empreitada: R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões para empresas que economizam o máximo possível. Uma Chevrolet da vida investe em torno de R$ 5 milhões. Conta-se à boca muito pequena que houve um Salão em que uma famosa marca alemã gastou R$ 15 milhões para os 10 dias de evento.

De acordo com a nota da Chevrolet, a marca se baseia na experiência do cliente e a marca vem se mostrando cada vez mais digital, tanto que 32% das vendas de varejo iniciam-se no ambiente digital. São 93% da rede de concessionários integrada em uma plataforma única na internet e isso gerou mais de R$ 3 bilhões em vendas em 2019.

Aí lembramos que a Chevrolet tem o carro mais vendido do Brasil nos últimos anos, o Onix, que ganhou uma nova geração em 2019. Não bastasse, promete para 2020 a nova geração do Tracker e reestilizações para S10 e Trailblazer. A Chevrolet investia tanto no salão paulistano que gostava de colocar seu estande logo na entrada. Sinal dos tempos...

No caso da Kia Motors a situação é outra. Os sul-coreanos destinam uma verba para publicidade no Brasil e não dão nem um centavo a mais. Se a Kia do Brasil quiser ir ao Salão, que pegue a verba de publicidade e invista. A alta cúpula da marca deve decidir por uma melhor distribuição da verba publicitária.

Seria de se imaginar que todo o investimento em um Salão do Automóvel tem retorno nas vendas dos carros lá expostos, mas não é bem o que acontece. Das pessoas que visitam os salões, podemos dizer sem pesquisa nem medo de errar que 95% estão lá para ver os carros que não são vistos todos os dias nas ruas, além dos bólidos que rasgam autódromos mundo afora. Vamos e venhamos: quem vai até o São Paulo Expo, para um estacionamento caro (é caro sim), um ingresso caro, comida, bebida etc para ver o Onix, se no caminho para o evento as ruas estavam cheias deles? Ou seja, as vendas não pagam o investimento.

É uma bola cantada há bastante tempo por marcas que já abandonaram o salão em outras ocasiões. Pode ser uma tendência se alguma atitude não for tomada. De qualquer modo, parece que um dia só de coletivas será suficiente em 2020.

Se houver coletivas...

 

 

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  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: terça-feira, 04 fev 2020 18:39Atualizado em: terça-feira, 04 fev 2020 19:46
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O mundo automotivo dentro e fora da estrada! Pelo jornalista Paulo Rogério, especializado em automobilismo.