Divulgação Divulgação

A Strada é longa

Poucas vezes as primeiras imagens oficiais de um novo carro provocaram tanto alvoroço entre a mídia automotiva que a do Fiat Strada, divulgada ontem, no início da noite. O Auto Aventura mesmo deu um jeito de publicar rapidamente a única foto enviada pela FCA (grupo que detém a marca Fiat) e a repercussão nas redes foi das grandes. Coincidência ou não, a divulgação aconteceu horas depois de uma foto de bastidores vazar e viralizar nas redes. Era a nova Strada, sem disfarces e sem lonas.

Há algumas tantas razões para tamanha mobilização. Uma delas está no mercado e no fato da Strada estar há anos entre os carros mais vendidos do Brasil. Chegou a ser líder geral pouco antes do Chevrolet Onix assumir e não largar mais a liderança. Em janeiro de 2020 ficou em 8º lugar. Entre as picapes compactas é de lavada: vende mais que Chevrolet Montana e Volkswagen Saveiro somadas.

Não bastasse, a Fiat não mexe em sua picape compacta há mais de seis anos (!). A última grande mudança ocorreu em setembro de 2013, quando a Strada ganhou a terceira porta para a cabine dupla, a chamada porta suicida, aberta de modo contrário às portas convencionais.

Também chamou a atenção a semelhança com a Toro, a picape média da Fiat. Isso se deu porque a Strada ficará maior que aquela que vemos nas ruas, mas obviamente não chegará ao tamanho de uma Toro. Só que os traços, sobretudo nas laterais, lembram bastante a “prima”. Quem vê a nova Strada só pela lateral vai se confundir.

Além do tamanho, uma grande diferença está na grade frontal. A Strada terá a frente que apareceu pela primeira vez no Argo e reforçou-se no Cronos. É uma grade bem grande e com o logotipo da Fiat bem destacado. A Toro não trouxe essa grade. O modelo tem uma frente exclusiva, com linhas bem finas.

O lançamento oficial da Strada será em breve e não irá impactar: já está impactando o mercado. E é mais que evidente que as respostas virão nas vendas.

 

 

Leia Mais
  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: quarta-feira, 12 fev 2020 14:16Atualizado em: quarta-feira, 12 fev 2020 17:36
  • Carro   Auto Aventura   Fiat Strada   
Divulgação Divulgação

Na tomada, para tomar espaço

Em meio ao turbilhão no qual o Salão do Automóvel de São Paulo entrou na semana passada (falamos a respeito neste espaço), parece que as coisas não estão assim, tão fora de controle. Ao que consta, o evento não só vai acontecer como irá favorecer as plataformas digitais. A ver...

Só que o assunto nem é diretamente Salão de 2020, mas sim a uma tendência à qual ele remete e que começou na edição de 2018. Foi lá que a maior parte das marcas preocupou-se muito mais com produtos híbridos e elétricos. Sim, teve bastante espaço para os motores a combustão, mas não tanto quanto no caso dos ecologicamente corretos.

Híbridos e elétricos seguem uma tendência que não vem que hoje e que vive um período de expansão. Há quem diga que em breve será o segmento dominante deste planeta chamado Terra. No momento é mais fácil crer em uma grande expansão, mas o pleno domínio parece um tanto quanto distante. Parece.

Em termos de Brasil, os 100% elétricos parecem bem longe desse domínio. Mas isso não se deve à falta de consciência dos proprietários de veículos desta pátria amada, idolatrada, salve, salve!, mas sim à estrutura ou à falta dela no País. Carros totalmente elétricos têm lá sua autonomia (curta, de um modo geral) e precisam ser literalmente recarregados para continuar a circular. A questão é que alguns modelos exigem verdadeiros postos de recarga e o Brasil não dispõe de muitos locais para isso.

Outros até podem ser ligados na tomada 220V, como se fossem um aparelho doméstico qualquer, no entanto isso não só provoca um certo aumento na conta de luz como exige uma estrutura na casa do proprietário. E aí vem a questão: principalmente em prédios mais antigos, com garagens coletivas, as entradas para tomadas sequer existem. Se existirem, envolvem a energia elétrica do condomínio. E quem mora no 10º andar não vai dispor de um enorme cabo que ligue o carro até uma entrada em seu apartamento.

Então que partamos para os híbridos, que utilizam um motor elétrico e outro a combustão, ou seja, acabou a bateria, parte para a gasolina e está tudo certo. E a parte elétrica pode ser recarregada no reaproveitamento da energia acumulada na frenagem, no mesmo estilo que o Kers nos carros de Fórmula 1. Há alguns que até podem ser carregados na tomada, mas não é obrigatório.

É o caso do Volvo XC60 T8. Em dezembro de 2019 o Auto Aventura acelerou o SUV em um longo test drive. Uma semana com o carro, pegando estradas, trânsito urbano, on e off road e sequer foi necessário reabastecê-lo. E, na entrega, ainda tinha uns 300 km de autonomia. Na descida da Serra pela Imigrantes essa autonomia ultrapassou 1 mil km. Isso sem prejudicar o desempenho do motor. Pelo contrário. Há outros híbridos no radar do Auto Aventura.

O domínio universal dos elétricos talvez esteja um pouco distante, mas no caso dos híbridos esse crescimento pode, sim, ser bastante significativo. E não afeta de modo tão direto a indústria petrolífera, essa sim interessadíssima nos carros a combustão.

Mas, pelo que se sabe, há homens fortes nesse setor buscando informações sobre economia renovável.
Não só a energia...

 

 

Leia Mais
DIVULGAÇÃO DIVULGAÇÃO

Limparam o Salão

O título remete ao ato pouco ortodoxo, mas ao invés de dedos no nariz, as palavras refletem o resultado dos dedos na ferida. Aos fatos: a Chevrolet anunciou que não estará presente no Salão do automóvel de São Paulo em 2020. A informação surpreendeu porque normalmente a marca é dona dos mais suntuosos estandes nos eventos os quais participa, apresenta grandes novidades para o mercado e recebe muito bem a mídia especializada. Só para dar uma noção, em 2014 a Chevrolet anunciou no Salão de São Paulo (ainda no Anhembi) o patrocínio à Seleção Brasileira, além de oferecer uma apresentação estilo Broadway, com nomes como Otaviano Costa, Rodrigo Faro e Thayde no palco. Já em 2018 a marca foi responsável pela abertura do Salão e em sua apresentação mostrou o Bolt, carro elétrico.

O que não surpreende é o anúncio de mais uma ausência no salão paulistano. A Chevrolet é a 12ª marca a não ir ao evento. Se junta do lado de fora a BMW, Citroën, JAC, Jaguar, Land Rover, Lexus, Mini, Peugeot, Toyota, Hyundai Motor Brasil e Volvo. E na semana passada a Kia deu fortes indícios de que também poderá não estar presente. Resta a dúvida se haverá salão...

O mastodôntico motivo tem nome: dinheiro. Quando o Salão do Automóvel mudou-se para o São Paulo Expo levou consigo uma majoração nos custos. Em 2016, no primeiro ano do evento na nova casa, o metro quadrado de um estande, com valor negociado ao extremo, girava em torno de R$ 280,00. Só que um estande decente tem que ter, no mínimo, 400 m², ou seja, R$ 112 mil só para ter direito a um espaço no grande galpão (e há marcas com estandes muito maiores).

A partir daí vêm montagem do estande, iluminação, hospitality center (com sofás, poltronas, mesas, wi fi, ar-condicionado, comidas, bebidas etc), contratação de seguranças, buffet para a coletiva de Imprensa (muito café), agência de modelos para colocar aquelas meninas horrorosas ao lado dos carros, transporte dos carros que ficarão expostos, palcos especiais para carros que vão chamar mais a atenção etc.

Custos que aumentam quando a alta cúpula da montadora não reside em São Paulo. Então entram avião, hotel, transfer, subsídio para estacionamento dos convidados e muitos pormenores. Ah, para a apresentação algumas marcas contratam artistas e esportistas de ponta. Inclua aí cachê, transporte, alimentação e muitíssimo mais.

Total da empreitada: R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões para empresas que economizam o máximo possível. Uma Chevrolet da vida investe em torno de R$ 5 milhões. Conta-se à boca muito pequena que houve um Salão em que uma famosa marca alemã gastou R$ 15 milhões para os 10 dias de evento.

De acordo com a nota da Chevrolet, a marca se baseia na experiência do cliente e a marca vem se mostrando cada vez mais digital, tanto que 32% das vendas de varejo iniciam-se no ambiente digital. São 93% da rede de concessionários integrada em uma plataforma única na internet e isso gerou mais de R$ 3 bilhões em vendas em 2019.

Aí lembramos que a Chevrolet tem o carro mais vendido do Brasil nos últimos anos, o Onix, que ganhou uma nova geração em 2019. Não bastasse, promete para 2020 a nova geração do Tracker e reestilizações para S10 e Trailblazer. A Chevrolet investia tanto no salão paulistano que gostava de colocar seu estande logo na entrada. Sinal dos tempos...

No caso da Kia Motors a situação é outra. Os sul-coreanos destinam uma verba para publicidade no Brasil e não dão nem um centavo a mais. Se a Kia do Brasil quiser ir ao Salão, que pegue a verba de publicidade e invista. A alta cúpula da marca deve decidir por uma melhor distribuição da verba publicitária.

Seria de se imaginar que todo o investimento em um Salão do Automóvel tem retorno nas vendas dos carros lá expostos, mas não é bem o que acontece. Das pessoas que visitam os salões, podemos dizer sem pesquisa nem medo de errar que 95% estão lá para ver os carros que não são vistos todos os dias nas ruas, além dos bólidos que rasgam autódromos mundo afora. Vamos e venhamos: quem vai até o São Paulo Expo, para um estacionamento caro (é caro sim), um ingresso caro, comida, bebida etc para ver o Onix, se no caminho para o evento as ruas estavam cheias deles? Ou seja, as vendas não pagam o investimento.

É uma bola cantada há bastante tempo por marcas que já abandonaram o salão em outras ocasiões. Pode ser uma tendência se alguma atitude não for tomada. De qualquer modo, parece que um dia só de coletivas será suficiente em 2020.

Se houver coletivas...

 

 

Leia Mais
  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: terça-feira, 04 fev 2020 18:39Atualizado em: terça-feira, 04 fev 2020 19:46
DIVULGAÇÃO DIVULGAÇÃO

Para atravessar o Rio

A Kia apresentou o Rio na última segunda-feira em um grande evento, para marcar seu maior lançamento até aqui. Algo que vale pela espera. Foram mais de quatro anos sendo prometido, duas participações em salões do automóvel em São Paulo e um aguardo sem fim pela estabilização do Dólar.

Ao que consta, a moeda norte-americana anda menos oscilante, embora tenha estagnado lá em cima. A marca comemora a média de R$ 4,23 (...). Ok, quando se idealiza estabilidade na economia do Brasil, vem a ameaça de guerra entre Estados Unidos e Irã, vem o Coronavírus, mas enfim...

O caso é que a Kia entra no mais concorrido dos mercados em termos de Brasil. Os três carros mais vendidos por aqui nos últimos anos são hatches compactos. O líder, Chevrolet Onix, está anos-luz à frente dos concorrentes, vendendo volumes estratosféricos. Para completar, passou por uma transformação tremenda no fim do ano passado. Além de tudo isso, os hatches compactos foram responsáveis por 27,8% do market share do Brasil em 2019. Foram 738.040 emplacamentos nessa carroceria. Ou seja, a missão da Kia só não é impossível porque o impossível não existe em diversos segmentos.

Mesmo assim, a marca sul-coreana mantém os pés no chão. Projeta uma média de 2,4 mil vendas por ano. Visa atingir um público jovem, jovens casados com até dois filhos ou os mais experientes, que queiram um carro confortável.

O que ajuda a Kia é o fato do Rio ser importado do México, o que evita o pagamento do imposto de importação, graças aos acordos comerciais. O que atrapalha a Kia é a ausência de uma fábrica no Brasil, o que significa uma frota in-tei-ra chegando de navio.

O que deu para sentir durante o lançamento do Rio foi um clima de "ou vai ou racha" e um ambiente de apreensão em relação às vendas de todos os produtos comercializados por aqui. A marca tem um bom produto. Demos uma volta rápida e o Rio corresponde, com bom motor e bom espaço interno. Mas em um segmento tão concorrido, a Kia poderá soltar fogos se atingir os 2,4 mil emplacamentos em um ano.

Fogos sem barulho, por favor...

 

 

Leia Mais
DIVULGAÇÃO DIVULGAÇÃO

Se fosse fácil não teria graça

Difícil é começar. Começar uma nova fase, um momento diferente, um desafio. Difícil no início pode não mostrar medo, mas escancara o respeito com o que virá. Cautela, diriam os mais otimistas. Difícil é começar uma frase com a palavra 'difícil' e o difícil diria Vicente Matheus, não é fácil.

E se fosse fácil que graça teria?

Começamos esta fase, este momento diferente. Iniciamos a parceria entre Santa Portal e Auto Aventura. Será neste espaço que iremos repercutir as notícias do setor automotivo, os lançamentos, as avaliações, o que há e o que virá. Quem veio foi a oportunidade de trabalharmos juntos. Obrigado, Sistema Santa Cecília de Comunicação!

Deus, vem comigo!

Se fôssemos considerar "apenas" o Salão do Automóvel, 2020 já seria suficientemente repleto de notícias no Brasil. Só que o evento acontece lá para novembro e, como em todos os anos pares (quando é realizado), envolve o antes, o durante e o depois. No antes estão os lançamentos que acontecem ao longo do ano; modelos que começam a andar nas ruas e depois aparecem nos estandes das marcas. Durante, há a festa (ou o trabalho, muito, por sinal). Depois, a repercussão e os lançamentos dos modelos que apareceram no evento, estivessem prontos ou não. Há marcas que apresentam carros-conceito, que depois acabam se tornando realidade. Nissan Kicks e Renault Duster Oroch que o digam.

Para começar a conversa, a Kia apresenta nesta segunda (27) e terça (28) o Rio, hatch compacto que estava prometido há tempos (vamos andar nele e depois contamos). Na semana passada a Volkswagen convidou alguns privilegiados para acelerarem o Polo GTS. Mas vem muito mais por aí.

Em um grupo de SUVs compactos e médios teremos, nos próximos meses, Volkswagen Nivus, Ford Territory, Jeep Gladiator, Citroën C5 Aircross, Porsche Taycan, Land Rover Defender e um mais que esperado Chery Tiggo 8. O sedã médio Arrizo 6 também é aguardado.

Mudanças de gerações também devem acontecer, casos de Peugeot 208, Chevrolet Tracker, Honda Fit, Nissan Versa, Fiat Strada (depois de mais de seis anos), Audi Q3 e Mercedes-Benz GLA.

No campo das atualizações aparecem Renault Duster e, da Chevrolet, S10 e Trailblazer.

 

 

Leia Mais
  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: segunda-feira, 27 jan 2020 11:02
     
Sobre
O mundo automotivo dentro e fora da estrada! Pelo jornalista Paulo Rogério, especializado em automobilismo.