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“QUEM É QUE VAI NO LUGAR DELE?”

As paixões atraem atitudes extremadas, sentimentos intensos, capazes de ofuscar a própria razão. Nesse sentido, o futebol é, sem dúvida, fonte de paixão exacerbada aos aproximadamente 270 milhões de seguidores em todo o mundo.

De origem remota, esse esporte foi regulamentado na Inglaterra, em 1863, espalhando-se rapidamente por outros países e continentes. No Brasil, conquistou quase que de imediato grande número de participantes e simpatizantes e ganhou impulso com o 1º campeonato Mundial de Futebol, em 1930, idealizado pelo francês Jules Rimet, 3º presidente da FIFA (1921 a 1954). Em sua homenagem, em 1946, o troféu recebeu seu nome: Taça Jules Rimet.

Mas, afinal de contas, o que o futebol tem a ver com a música? Para muitos, tudo a ver. Prova disso são as inúmeras canções consagradas ao futebol, compostas por músicos brasileiros dos mais diferentes gêneros musicais, independentemente de estar ou não em época de Copa do Mundo, evento que, diga-se de passagem, atrai o dobro da audiência registrada pelos Jogos Olímpicos. Especialmente para quem viu em 1958, em campos da Suécia, um garoto de 17 anos, numa equipe de jogadores renomados, fazer gols memoráveis e criar jogadas incríveis, mostrando ao mundo que ainda havia muito para se realizar em termos futebolísticos.

Santista de Três Corações, o menino Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, estreou no Santos Futebol Clube em 1956, aos 15 anos, e dois anos após já fazia história na Seleção Brasileira. Assim foi também em 1962, quando deixou o gramado contundido e assistiu dos bancos a conquista do bicampeonato. E em 1970, com a mais fantástica Seleção que o Brasil já reuniu, garantindo o tricampeonato e a posse definitiva da Taça Jules Rimet, roubada e derretida no Rio de Janeiro, em 1983.

Em 1974, após 18 anos no “Peixe da Vila Belmiro”, Pelé anunciou a sua saída da equipe. Em 1977, depois de dois anos no futebol norte-americano, aposentou-se definitivamente, deixando para trás 1281 gols em 1363 partidas e títulos de honra jamais superados por outros jogadores, como “Atleta do Século”, “Cavaleiro Comandante da Mais Excelente Ordem do Império Britânico”, “Futebolista do Século pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol” e muitos outros, sendo o único futebolista do mundo a conquistar três medalhas de Copa do Mundo concedidas pela FIFA.

Entretanto, em 1974 haveria a Copa do Mundo na Alemanha e os milhões de técnicos brasileiros estavam descontentes com os nomes convocados à época. Foi nessa ocasião que o santista Luiz Américo, sambista dos bons, gravou “Camisa 10”, composição de Luís Vagner e Hélio Matheus, questionando o então técnico Zagalo e perguntando ironicamente: “Dez é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele?”. Naquele ano, a Alemanha foi campeã, vencendo na final a seleção da Holanda, apelidada de “Laranja Mecânica”, pela cor de seu uniforme e a velocidade das suas jogadas.

Em 1971, o “Rei do Futebol”, dono eterno da Camisa 10, já havia anunciado que não atuaria mais pela Seleção Brasileira. 47 anos se passaram, já conquistamos mais duas copas do Mundo e os mais de 200 milhões de técnicos brasileiros ainda fazem a mesma afirmação da última frase da música: “A turma está sorrindo para não chorar, tá devagar”.

*Marco Damy é jornalista e músico.

 

 

  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: domingo, 24 jun 2018 15:29Atualizado em: domingo, 24 jun 2018 15:32

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