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Nem rock, nem samba, nem afoxé: Tribalistas

O que, além da Música, seria capaz de unir em um projeto bem sucedido personalidades tão distintas quanto o introspectivo roqueiro paulistano Arnaldo Antunes, o extrovertido percussionista baiano Carlinhos Brown e a estudiosa carioca Marisa Monte? Creio que pouquíssimas coisas (ou quase nada).

Mas a arte musical foi capaz disso e, para sorte do grupo e do público, dessa pouco provável união surgiu em 2002 o supergrupo Tribalistas, cujo sucesso do primeiro álbum ainda ecoa forte por todo o país e, exageros à parte, pelo mundo.

No Brasil, o álbum “Tribalistas” estreou em primeiro lugar nas paradas de sucesso e vendeu, em nível global, mais dois milhões de cópias, ganhando um Grammy Latino em 2003, das cinco indicações que recebeu naquele ano.

Tudo isso sem que o trio jamais tivesse realizado turnês e tenha feito apenas três apresentações: no Grammy Latino; no DVD “Ao Vivo no Estúdio”, de Arnaldo Antunes; e no “Sarau do Brown”, a única aberta ao público.

Dos três integrantes, somente Marisa Monte interpretou canções dos Tribalistas em sua turnê mundial “Universo Particular” e na turnê “Brasil Verdade, Uma Ilusão”.

Entretanto, quem nunca ouviu, cantou ou assoviou a premiada canção “Já Sei Namorar”?

Em 2017, 15 anos após o lançamento do primeiro álbum, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte repetiram a dose e lançaram o álbum vídeo “Tribalistas”, que imediatamente atingiu a 4ª colocação na iTunes Store mundial. Em 2018, os Tribalistas estão excursionando.

Bem, algo no passado une os três: Arnaldo Antunes foi membro da banda Titãs; Marisa Monte participou do musical “The Rocky Horror Show”; e Carlinhos Brown, em 1979, tocou na banda Mar Revolto. É o rock dando o seu pitaco.

*Marco Damy é jornalista e músico.

 

 

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  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: sábado, 21 jul 2018 21:28Atualizado em: sábado, 21 jul 2018 21:35
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Vinícius de Moraes, poeta, sambista e embaixador

Digam o que quiserem, mas, além do Brasil, qual outro país no mundo teria condições de reunir numa única pessoa três qualidades distintamente espetaculares: poeta, sambista e embaixador?

Seu nome de nascimento era Marcus Vinícius de Moraes. Porém, para os inúmeros amigos, milhões de fãs, esposas (nove, ao todo), o poeta, dramaturgo, jornalista, compositor, cantor e diplomata era apenas o “poetinha”, autor de memoráveis canções e que não temia afirmar: “É melhor ser alegre que ser triste / Alegria é a melhor coisa que existe / É assim como a luz no coração” (“Samba da Benção”).

Vinícius nasceu no Rio de Janeiro no dia 19 de janeiro de 1913, menos de 14 anos após a Proclamação da República no Brasil. Contudo, de antiquado não tinha nada.

Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1933. Em 1938, conquistou bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford. Em 1943, foi aprovado para o Ministério das Relações Exteriores, assumindo, em 1946, como vice-cônsul em Los Angeles, e, nos anos 50, atuou no campo diplomático em Paris e em Roma. No final de 1968, foi aposentado compulsoriamente pelo AI-5, quando estava em Portugal. Foi anistiado (post-mortem) em 1998.

Entretanto, para Vinícius de Moraes, a Poesia era a sua maior vocação e dela se originavam todas as suas demais atividades artísticas e culturais. E como produziu o “poetinha”. Suas obras incluem 20 livros de poesias, peças teatrais como "As Feras", "Cordélia e o Peregrino malvado", "Orfeu da Conceição", "Procura-se uma Rosa", 31 discos (lançados entre 1956 e 2015) e dezenas de canções compostas com parceiros do quilate de Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Haroldo e Paulo Tapajós, Baden Powel, Eduardo Bacri, Antonio Maria, Edu Lobo, Cláudio Santoro, Marília Medalha, Chico Buarque, Francis Hime, Moacir Santos, Ary Barroso, Pixinguinha e Carlos Lyra.

Composta por Vinícius e Tom, “Chega de Saudade” foi gravada e lançada por João Gilberto em 1958, considerada marco inicial do novo estilo musical que surgia: a Bossa Nova.

O “poetinha” partiu aos 66 anos, no dia nove de julho de 1980, no Rio de Janeiro, após passar a noite compondo e conversando com o parceiro e amigo Toquinho. “Quem já passou por esta vida e não viveu / Pode ser mais, mas sabe menos do que eu / Porque a vida só se dá pra quem se deu / Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu, ai / Quem nunca curtiu uma paixão / Nunca vai ter nada, não” (“Como dizia o poeta”).

Marco Damy é jornalista e músico.

 

 

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  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: sábado, 14 jul 2018 15:35Atualizado em: sábado, 14 jul 2018 15:52
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E O ROCK CHEGOU, NA CAUDA DO COMETA

Se há algo neste mundo que se recusa a envelhecer, isso é o Rock and Roll.

Décadas após o seu surgimento, o rock ainda preserva e se alimenta do vigor da juventude e da rebeldia, embora alguns de seus maiores ícones ainda vivos ostentem vastas cabeleiras brancas e estejam mais próximos de serem centenários do que teenagers.

Um desses ídolos preservados pela História, se ainda estivesse vivo, completaria 93 anos de idade no dia seis de julho de 2018. Seu nome: Willian John Clifton. Sabe quem foi? Não? E se o chamarmos de Bill Haley? Pois é. Bem mais fácil identificá-lo pelo apelido e pelo nome do conjunto que o consagrou: Bill Haley & His Comets.

Em 1946, Bill Haley formou seu primeiro grupo, para tocar música country. Em 1951, ele decidiu juntar ao seu estilo algumas características de músicas de raízes negras, criando um novo som: Rockabilly.

Em 1952, sob o nome The Saddlemen, gravou "Rocket 88" e "Rock this Joint". O sucesso foi satisfatório.

Em 1952, definitivamente denominado Bill Haley & His Comets, lançou "Crazy Man Crazy", o primeiro rock a entrar na parada norte-americana.

Dois anos depois, em 1954, gravou “Rock Around the Clock”, que alcançou sucesso internacional em 1955, como trilha sonora do filme “BlackBoard Jungle” (no Brasil, “Sementes de Violência”), desencadeando uma revolução musical que abriu as portas para os rockstars que surgiram posteriormente.

Bill Haley esteve no Brasil em 1958 e em 1975. Ele morreu em 1981, aos 55 anos, deixando outras gravações de sucesso mundial, como "Shake, Rattle and Roll" e "See You Later Alligator". Mais de 100 músicos diferentes tocaram no conjunto Bill Haley & His Comets, entre 1952 e 1981.

A música de Bill Haley permanece viva, mais de seis décadas após seu lançamento, o que faz o Rock and Roll jovem para sempre.

*Marco Damy é jornalista e músico.

 

 

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  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: sexta-feira, 06 jul 2018 19:57
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O “ouro de tolo” do “maluco beleza”

Raul Santos Seixas, o “Maluco Beleza”, era baiano de Salvador, nascido em 28 de junho de 1945. O terceiro Raul de uma família classe média, seguindo seu pai, engenheiro da ferrovia, e seu avô paterno. Sua casa tinha biblioteca e ele foi matriculado em escolas particulares. Mas, o Raul 3º queria mais do que estar “no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”. (“Ouro de Tolo” / 1973)

Repetiu várias vezes na escola. Talvez porque “desde aquele tempo, enquanto o resto da turma se juntava pra bater uma bola, eu pulava o muro com Zezinho no fundo do quintal da escola” (“No Fundo do Quintal da Escola” / 1977). Especialmente em 1957, quando fugia para ouvir aquela novidade enlouquecedora chamada Rock and Roll. Naquele mesmo ano, no dia 13 de julho, com o amigo Waldir Serrão, aos 12 nos de idade, Raul Seixas fundou o “Elvis Rock Club”.

Em 1963, começou a tocar. Em 1968 lançou seu primeiro álbum, “Raulzito e os Panteras”. O sucesso veio mesmo em 1973, com o álbum “Krig-ha, Bandolo!”, no qual, além de “Ouro de Tolo”, se destacaram ainda "Mosca na Sopa" e "Metamorfose Ambulante". “Eu devia agradecer ao Senhor, por ter tido sucesso na vida como artista. Eu devia estar feliz, porque consegui comprar um Corcel 73”... “mas, confesso abestalhado que eu estou decepcionado”,... “é você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal”. (“Ouro de Tolo”)

Raul queria mais. Em 1974, lançou o álbum “Gita”, no qual, além da canção título, também se destacou a canção-manifesto “Sociedade Alternativa”: “Faz o que tu queres, pois é tudo da Lei!”, conforme aprendera com o ocultista britânico Aleister Crowley. E, como ele, Raul também se tornava hermético: “Às vezes você me pergunta, por que é que eu sou tão calado, não falo de amor quase nada, nem fico sorrindo ao teu lado”... “eu sou o início, o fim e o meio” (“Gita”).

Seguiram-se anos de loucuras, muitas vezes ao lado do parceiro letrista Paulo Coelho, com quem “inventou” terem se encontrado com John Lennon em Nova Iorque, algo que rendeu inúmeras entrevistas à época. (Terá sido Raul Seixas o primeiro criador de fake news no Brasil?) “Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal, e fazer tudo igual; eu, do meu lado, aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real. Controlando a minha ‘maluquez’, misturada com minha lucidez, vou ficar com certeza maluco beleza...” (“Maluco Beleza” / 1977)

Em 1982, Raul Seixas realizou um show histórico na areia da praia do Gonzaga, em Santos, para mais de 150 mil pessoas. “Eu sou a mosca que perturba o seu sono, eu sou a mosca no seu quarto a ‘zumbizar’” (“Mosca na Sopa”). Entretanto, o problema com o alcoolismo e um divórcio em 1985 derrubam o profeta do Rock, que por três anos afasta-se do palco.

Em 1988 fez um show em Salvador, com Marcelo Nova. Em 89, os dois realizaram uma turnê com mais de 50 apresentações. Dessa turnê surgiu o álbum “A Panela do Diabo”, lançado no dia 22 de agosto de 1989, um dia após Raul Seixas ser encontrado morto, aos 44 anos, em seu apartamento em São Paulo. “Veja! Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez!” (“Tente outra vez” / 1975).

Ao todo, foram 26 anos de carreira e 17 álbuns, que lhe renderam quatro discos de Ouro: “Gita” (1974), “Raul Seixas” (1983), “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” (1987) e “A Panela do Diabo” (1989).

“Quando acabar, o maluco sou eu”, profetizou Raul Seixas em 1987.

*Marco Damy é jornalista e músico.

 

 

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  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: sexta-feira, 29 jun 2018 17:16
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“QUEM É QUE VAI NO LUGAR DELE?”

As paixões atraem atitudes extremadas, sentimentos intensos, capazes de ofuscar a própria razão. Nesse sentido, o futebol é, sem dúvida, fonte de paixão exacerbada aos aproximadamente 270 milhões de seguidores em todo o mundo.

De origem remota, esse esporte foi regulamentado na Inglaterra, em 1863, espalhando-se rapidamente por outros países e continentes. No Brasil, conquistou quase que de imediato grande número de participantes e simpatizantes e ganhou impulso com o 1º campeonato Mundial de Futebol, em 1930, idealizado pelo francês Jules Rimet, 3º presidente da FIFA (1921 a 1954). Em sua homenagem, em 1946, o troféu recebeu seu nome: Taça Jules Rimet.

Mas, afinal de contas, o que o futebol tem a ver com a música? Para muitos, tudo a ver. Prova disso são as inúmeras canções consagradas ao futebol, compostas por músicos brasileiros dos mais diferentes gêneros musicais, independentemente de estar ou não em época de Copa do Mundo, evento que, diga-se de passagem, atrai o dobro da audiência registrada pelos Jogos Olímpicos. Especialmente para quem viu em 1958, em campos da Suécia, um garoto de 17 anos, numa equipe de jogadores renomados, fazer gols memoráveis e criar jogadas incríveis, mostrando ao mundo que ainda havia muito para se realizar em termos futebolísticos.

Santista de Três Corações, o menino Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, estreou no Santos Futebol Clube em 1956, aos 15 anos, e dois anos após já fazia história na Seleção Brasileira. Assim foi também em 1962, quando deixou o gramado contundido e assistiu dos bancos a conquista do bicampeonato. E em 1970, com a mais fantástica Seleção que o Brasil já reuniu, garantindo o tricampeonato e a posse definitiva da Taça Jules Rimet, roubada e derretida no Rio de Janeiro, em 1983.

Em 1974, após 18 anos no “Peixe da Vila Belmiro”, Pelé anunciou a sua saída da equipe. Em 1977, depois de dois anos no futebol norte-americano, aposentou-se definitivamente, deixando para trás 1281 gols em 1363 partidas e títulos de honra jamais superados por outros jogadores, como “Atleta do Século”, “Cavaleiro Comandante da Mais Excelente Ordem do Império Britânico”, “Futebolista do Século pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol” e muitos outros, sendo o único futebolista do mundo a conquistar três medalhas de Copa do Mundo concedidas pela FIFA.

Entretanto, em 1974 haveria a Copa do Mundo na Alemanha e os milhões de técnicos brasileiros estavam descontentes com os nomes convocados à época. Foi nessa ocasião que o santista Luiz Américo, sambista dos bons, gravou “Camisa 10”, composição de Luís Vagner e Hélio Matheus, questionando o então técnico Zagalo e perguntando ironicamente: “Dez é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele?”. Naquele ano, a Alemanha foi campeã, vencendo na final a seleção da Holanda, apelidada de “Laranja Mecânica”, pela cor de seu uniforme e a velocidade das suas jogadas.

Em 1971, o “Rei do Futebol”, dono eterno da Camisa 10, já havia anunciado que não atuaria mais pela Seleção Brasileira. 47 anos se passaram, já conquistamos mais duas copas do Mundo e os mais de 200 milhões de técnicos brasileiros ainda fazem a mesma afirmação da última frase da música: “A turma está sorrindo para não chorar, tá devagar”.

*Marco Damy é jornalista e músico.

 

 

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  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: domingo, 24 jun 2018 15:29Atualizado em: domingo, 24 jun 2018 15:32
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