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O “ouro de tolo” do “maluco beleza”

Raul Santos Seixas, o “Maluco Beleza”, era baiano de Salvador, nascido em 28 de junho de 1945. O terceiro Raul de uma família classe média, seguindo seu pai, engenheiro da ferrovia, e seu avô paterno. Sua casa tinha biblioteca e ele foi matriculado em escolas particulares. Mas, o Raul 3º queria mais do que estar “no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”. (“Ouro de Tolo” / 1973)

Repetiu várias vezes na escola. Talvez porque “desde aquele tempo, enquanto o resto da turma se juntava pra bater uma bola, eu pulava o muro com Zezinho no fundo do quintal da escola” (“No Fundo do Quintal da Escola” / 1977). Especialmente em 1957, quando fugia para ouvir aquela novidade enlouquecedora chamada Rock and Roll. Naquele mesmo ano, no dia 13 de julho, com o amigo Waldir Serrão, aos 12 nos de idade, Raul Seixas fundou o “Elvis Rock Club”.

Em 1963, começou a tocar. Em 1968 lançou seu primeiro álbum, “Raulzito e os Panteras”. O sucesso veio mesmo em 1973, com o álbum “Krig-ha, Bandolo!”, no qual, além de “Ouro de Tolo”, se destacaram ainda "Mosca na Sopa" e "Metamorfose Ambulante". “Eu devia agradecer ao Senhor, por ter tido sucesso na vida como artista. Eu devia estar feliz, porque consegui comprar um Corcel 73”... “mas, confesso abestalhado que eu estou decepcionado”,... “é você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal”. (“Ouro de Tolo”)

Raul queria mais. Em 1974, lançou o álbum “Gita”, no qual, além da canção título, também se destacou a canção-manifesto “Sociedade Alternativa”: “Faz o que tu queres, pois é tudo da Lei!”, conforme aprendera com o ocultista britânico Aleister Crowley. E, como ele, Raul também se tornava hermético: “Às vezes você me pergunta, por que é que eu sou tão calado, não falo de amor quase nada, nem fico sorrindo ao teu lado”... “eu sou o início, o fim e o meio” (“Gita”).

Seguiram-se anos de loucuras, muitas vezes ao lado do parceiro letrista Paulo Coelho, com quem “inventou” terem se encontrado com John Lennon em Nova Iorque, algo que rendeu inúmeras entrevistas à época. (Terá sido Raul Seixas o primeiro criador de fake news no Brasil?) “Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal, e fazer tudo igual; eu, do meu lado, aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real. Controlando a minha ‘maluquez’, misturada com minha lucidez, vou ficar com certeza maluco beleza...” (“Maluco Beleza” / 1977)

Em 1982, Raul Seixas realizou um show histórico na areia da praia do Gonzaga, em Santos, para mais de 150 mil pessoas. “Eu sou a mosca que perturba o seu sono, eu sou a mosca no seu quarto a ‘zumbizar’” (“Mosca na Sopa”). Entretanto, o problema com o alcoolismo e um divórcio em 1985 derrubam o profeta do Rock, que por três anos afasta-se do palco.

Em 1988 fez um show em Salvador, com Marcelo Nova. Em 89, os dois realizaram uma turnê com mais de 50 apresentações. Dessa turnê surgiu o álbum “A Panela do Diabo”, lançado no dia 22 de agosto de 1989, um dia após Raul Seixas ser encontrado morto, aos 44 anos, em seu apartamento em São Paulo. “Veja! Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez!” (“Tente outra vez” / 1975).

Ao todo, foram 26 anos de carreira e 17 álbuns, que lhe renderam quatro discos de Ouro: “Gita” (1974), “Raul Seixas” (1983), “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” (1987) e “A Panela do Diabo” (1989).

“Quando acabar, o maluco sou eu”, profetizou Raul Seixas em 1987.

*Marco Damy é jornalista e músico.

 

 

  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: sexta-feira, 29 jun 2018 17:16

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